Minha Versão do Rio Grande do Sul

Ouvir falar de chimarrão, churrasco ou gre-nal sem lembrar-se do gigante extremo sul do Brasil, é impossível. Estas palavras são sinônimas de um estado que tem sua história assinalada pela resistência. Um povo diversificado, formado por portugueses, espanhóis, alemães, italianos, franceses, poloneses, africanos e indígenas. Esta miscigenação criou um linguajar próprio do estado.
Seja em Rio grande, onde ocorreu o fortalecimento do porto, para propiciar a colonização e criação de gado, em meados do século XVIII, seja em São Miguel Arcanjo, uma das cidades integrantes dos Sete Povos das Missões, onde Jesuítas espanhóis catequizavam indígenas, sabe-se que “guapo” significa forte, valente e bravo.
Tanto em Nova Petrópolis, onde conserva-se a arquitetura alemã, ou em Porto Alegre, cidade natal de Mário Quintana, sabe-se que “bate coxa” é dançar. Em Caxias do Sul, onde ocorreu grande imigração italiana destacando-se na vinicultura, ou em Santa Maria, cidade que ganhou lugar privilegiado na paleontologia, devido à descoberta dos possíveis dinossauros mais antigos do mundo, entende-se que “não ter alce” é equivalente a não dar trégua.

Antigamente, chamava-se Província de São Pedro, na “Querência Amada” (composição de Teixeirinha) se tem uma versão poetizada do tradicionalismo. A figura do homem com bombacha, seu lenço e sua boina, ainda há, assim como o pinhão assado em meio aos espinhos.
As “peleias” como: Revolução de 1923, Farroupilha e Federalista; Revolta dos Muckers e dos Colonos; Sedição de 1830; Sepé Tiaraju e Guerra Guaranítica são apenas reivindicações, porém não se espante – a primeira injustiça suporta-se, mas na segunda tem que reclamar – até porque ser educado e pacífico é diferente de acomodado.
Uma história anacrônica, para um estado cheio de história, se torna impossível resumir em migalhas, mas cada palavra existente no tempo, desde a fundação da cidade de Rio Grande, remete a lembrança da região, cuja nem precisa dizer o nome para saber de quem está se falando, contudo, por desencargo de consciência, chama-se Rio Grande do Sul.

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