As Veredas já percorridas

Este texto, faz parte de uma série, que juntos formão um artigo, trazendo uma reflexão sobre a história, destinando - se, a todos que não o querem ler - mas pois incrível que pareça, isto não é uma piada - pois muitas vezes, as pessoas desistem da história por não compreende-la.  
Continuação... [7]
Há algum tempo atrás, se discutiu muito a falibilidade da história como ciência, se é que poderia ser considerada uma. Todo o trama deste debate, envolvia várias discussões como a relatividade histórica, em que tudo era interpretativo, então tudo poderia ser verdade ou mentira (a grosso modo, seria isso). Aparentemente, a discussão cessou e a história-ciência sobreviveu; contudo, alguns assuntos ficaram em aberto, pois os erros identificados no passado continuam a serem cometidos, mesmo com aviso prévio.
A falta de visão do mundo, não se dá porque podem ter-se duas visões diferentes sobre o mesmo assunto, mas sim, por não haver interpretações de quem deveria pensar. Quero dizer novamente, que as discussões se limitam ao clichê historicista, não chegando à sociedade, portando, não existe como uma pessoa discernir o que é positivo ou negativo, ou seja, o que prejudica ou colabora com a sociedade.
A história que as pessoas conhecem e desfrutam, seria a história enigmática de grandes figuras e sociedades, na qual é explorado o interessante ao senso comum, como por exemplo, documentários que mostram sociedades antigas como os incas fazendo sacrifícios de milhares de pessoas. Também usa - se a partícula de condição “se” para criar toda uma ficção inconcebível para a história, como dizer que, “se os incas não fizessem sacrifícios, hoje eles seriam super desenvolvidos e teriam dominado o mundo”. Esta história fraca e banal que toma o lugar da história cientifica, também cria pensamentos ilusórios, ao ponto, de através de uma ficção histórica – como a trama de anjos e demônios – criam pensamentos inexistentes que cogitam a existência de “iluminates”1. Este fenômeno pode ser explicado pelo que já foi proposto, em que, a história do “Discovery Channel”2 é mais acessível e compreensível que um artigo do Paul Veyne3. Contudo, não entendam isso como uma crítica ao escritor, mas sim, a ciência.
Conforme o tempo se passa, cada vez mais, se torna necessário procurar atalhos por caminhos já percorridos, pois existe a impressão que tudo já foi desvendado. Um problema que surge, é que as soluções ou teorias são pensadas de forma grandiosa, sem perceber que a resolução está no simples. E é por isso que há uma crítica à ciência na sua totalidade (incluindo as exatas) no parágrafo anterior. Vamos pensar em um problema sem solução, como por exemplo, semáforos para daltônicos. Um deputado irá legislar e proibir que os mesmos tirem habilitação, mas isso não resolveria o problema; já um cientista da informática irá querer computadorizar o carro e o sinaleiro, sincronizando - os e fazendo o carro parar quando o sinal estiver fechado, contudo, isto custaria alguns milhões só no projeto inicial; já a solução simples seria um sinaleiro com persianas independentes na frente de cada lâmpada, sendo que quando uma acende, a persiana abre, permite que a luz passe, podendo ser visualizada pelo motorista convencional e decifrada pelo daltônico, pois enquanto a persiana de uma lâmpada está aberta, as outras estão fechadas.
Todo esse paradigma parece um tanto quanto utópica, mas não é; só é necessário um primeiro impulso para a formação de uma marola, que ao chegar perto da costa ganha força e se torna um “Tsunami”. Com um mundo inundado de soluções simples, não se precisa mais de um impulso, pois quando a ideia se propaga, ela já cria sua própria força motriz.

1 Nome dado ao grupo que controla o mundo segundo a ficção “anjos e demônios”.
2
O Discovery Channel é um canal de televisão por assinatura distribuído pela Discovery Communications destinado a apresentação de documentários, séries e programas educativos sobre ciência, tecnologia, história, meio ambiente e geografia. (Definição: Wikipédia).

3
Historiador Francês.

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